Vacinas contra Gripe e Covid: Proteja Seu Coração e Reduza Riscos Cardíacos!
Uma nova diretriz da Sociedade Europeia de Cardiologia destaca a importância das vacinas na promoção da saúde cardiovascular. Imunizantes contra gripe, Covid-19, pneumococo e Herpes Zoster – a última em fase de incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) – têm demonstrado um papel significativo na redução do risco de eventos como infartos, derrames e agravamento de doenças cardíacas, especialmente entre idosos e indivíduos com condições crônicas.
Publicada recentemente no European Heart Journal, essa diretriz reúne evidências científicas que mostram como a vacinação não só previne infecções, mas também se torna uma nova forma de prevenção cardiovascular. A cardiologista Raphaela Garofo enfatiza que essas vacinas auxiliam na proteção do coração ao evitar descompensações em doenças pré-existentes e processos inflamatórios resultantes de infecções.
Infecções respiratórias agudas podem ativar o sistema imunológico e inflamatório, liberando substâncias que podem levar a complicações graves em pessoas com aterosclerose. Esse risco de agravamento é relevante, pois infecções podem desestabilizar placas de gordura nas artérias, aumentando a probabilidade de infartos e complicações cardíacas.
A vacinação contra a gripe, por exemplo, pode reduzir em até 60% o risco de infecções e está associada a uma diminuição de 30% nos eventos cardiovasculares severos. Estudos também apontam que vacinados após um infarto tiveram uma redução de até 41% na mortalidade cardiovascular. Da mesma forma, a vacina contra pneumococo apresentou uma redução de até 10% no risco cardiovascular, representando uma estratégia de prevenção eficaz, considerando o aumento da incidência de doenças cardíacas em uma população que envelhece.
O cardiologista Fábio Argenta acrescenta que as vacinas atuam como uma forma de prevenção secundária, ajudando a diminuir internações, arritmias e mortes causadas por infecções em pacientes já diagnosticados com doenças cardiovasculares.
A Covid-19, particularmente em seus estágios iniciais, elevou significativamente o risco de eventos cardíacos. Pacientes com condições cardíacas pré-existentes apresentaram um aumento considerável para complicações que poderiam ser mitigadas pela vacinação, que comprovadamente ajudou a reduzir esse risco em até 43%. Outras vacinas, como a do herpes zoster e a do VSR (vírus sincicial respiratório), também têm eficácia significativa na prevenção de complicações cardiovasculares, demonstrando que a vacinação vai além da imunização contra doenças infecciosas.
Além disso, a vacina contra HPV, utilizada principalmente para prevenir câncer cervical, pode também ter efeitos positivos na saúde cardiovascular, normalizando o risco de doenças vasculares em mulheres imunizadas.
Com as evidências apresentadas, a vacinação foi reconhecida como um pilar fundamental na prevenção cardiovascular, ao lado do controle de hipertensão, diabetes e colesterol. No entanto, embora a eficácia das vacinas seja bem documentada, a adesão à vacinação enfrenta desafios, com níveis de cobertura, especialmente entre grupos de risco, ainda abaixo do ideal.
É essencial que os pacientes, especialmente aqueles com doenças crônicas, questionem seus médicos sobre vacinas e que as recomendações sejam incorporadas de forma rotineira durante as consultas, internações e campanhas de vacinação.
Os dados sobre a cobertura vacinal no Brasil revelam que menos de 45% da população-alvo se vacinou contra a gripe, e apenas 56,67% completaram a vacinação de Covid-19 com a terceira dose. A meta do Ministério da Saúde é imunizar 90% desse grupo prioritário.
Com a vacinação sendo uma importante ferramenta de proteção cardiovascular, é crucial que todos entendam a importância de estarem em dia com suas vacinas para garantir não apenas a prevenção de doenças infecciosas, mas também a saúde do coração.