Descubra o Aplicativo Polêmico que Espalha Propaganda e Desinformação na Venezuela!
Em setembro do ano passado, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela emitiu uma ordem de prisão contra o presidente da Argentina, Javier Milei. A acusação envolvia o suposto roubo de um avião venezuelano-iraniano que estava retido em Buenos Aires desde 2022. Essa decisão desencadeou uma intensa campanha de difamação contra Milei, coordenada a partir do Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação da Venezuela.
Por meio de um aplicativo de mensagens chamado Siscom, os altos funcionários receberam instruções claras: maximizar a divulgação do pedido de prisão nas redes sociais e enaltecer a imagem do presidente argentino como um criminoso. O vice-ministro de Comunicação, Johannyl Rodríguez, foi um dos principais articuladores dessa estratégia, incitando a produção de notícias, memes e conteúdo que ridicularizassem Milei.
O Siscom é um aplicativo desenvolvido pelo governo venezuelano, semelhante ao WhatsApp, onde são compartilhadas mensagens e conteúdos alinhados com a narrativa chavista. Ele conecta membros de diversas esferas, incluindo funcionários públicos, governos locais e meios de comunicação favoráveis ao regime. A plataforma permitiu a coordenação de campanhas de desinformação e ataques direcionados a opositores, tanto na Venezuela quanto em outros países.
Documentos obtidos revelaram a estrutura dessa máquina de propaganda. O aplicativo, lançado em março de 2024, já contava com milhares de usuários e funcionava como uma ferramenta central para promover a agenda do governo. As mensagens que circulavam no Siscom não apenas atacavam opositores locais, mas também líderes internacionais, como Donald Trump e Nayib Bukele, empregando táticas semelhantes de difamação.
Em campanhas específicas, o governo venezuelano direcionou esforços contra Milei, não apenas pelo incidente do avião, mas também por associá-lo a um plano internacional que eles chamaram de “sionismo”. Incentivos foram oferecidos a usuários para que se unissem ao coro de ataques nas redes sociais, apresentando Milei como parte de uma suposta conspiração.
A estratégia de comunicação do governo se intensificou durante períodos eleitorais, quando um maior número de postagens a favor do presidente Nicolás Maduro era promovido. Campanhas como a #NicoLike foram criadas para aumentar o engajamento com suas publicações, buscando consolidar sua imagem e deslegitimar adversários.
Depois das eleições de julho de 2024, em que o governo venezuelano alegou vitória, surgiram protestos significativos em resposta ao processo eleitoral, que muitos consideraram fraudulento. Em meio a esse clima de tensão, Maduro fez apelos à repressão, classificando os protestos como uma tentativa de “golpe de Estado”.
No contexto de suas campanhas, o governo também buscou envolver seus apoiadores na virtualização da luta política, incentivando a criação de conteúdos que ridicularizavam líderes opositores e promoviam uma narrativa de vitória sobre “fascistas”. Os ataques foram integrados em uma estratégia mais ampla para manter o controle sobre a percepção pública e administrar a dissidência interna.
Em resumo, a máquina de propaganda da Venezuela, operada através de plataformas como o Siscom, tem sido um instrumento multifuncional para moldar narrativas, deslegitimar opositores e consolidar a imagem do regime, com um foco especial nas interações políticas internacionais. A complexidade dessa operação revela um esforço contínuo do governo para manter sua hegemonia em um cenário marcado por críticas e desafios internos e externos.