Câncer em Alta: O Desafio Urgente que o SUS Precisará Enfrentar!
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil e no mundo. Entretanto, nos últimos anos, a situação tem mudado. O avanço no controle das doenças cardíacas tem feito com que o câncer se torne uma importância crescente como causa de falecimentos. Em 2024, os dados indicaram aproximadamente 365.772 mortes atribuídas a doenças cardíacas e 238.477 a câncer. Entre 1989 e 2020, as mortes por doenças cardiovasculares diminuíram 53,7%, passando de 305 para 141 por 100 mil habitantes. Em contrapartida, as mortes por câncer aumentaram em 5,8%, passando de 86 para 91 por 100 mil habitantes.
Estudos recentes revelaram que, em 15% das cidades brasileiras, o câncer já é responsável pelo mesmo número de mortes que as doenças do coração. Em 10,8% dessas localidades, as doenças oncológicas são as principais causas de óbito. Essa mudança no padrão de mortalidade é particularmente evidente nos grandes centros urbanos, e observa-se uma tendência similar em países de maior renda.
Essa alteração na taxa de mortalidade está também ligada ao nível de renda e à infraestrutura de saúde disponível. Por exemplo, na África subsaariana, a taxa de mortes por doenças cardiovasculares pode chegar a 7.500 por 100 mil habitantes, enquanto na Europa, esse número não ultrapassa 2.500. A mortalidade global por doenças cardíacas diminuiu significativamente nas últimas décadas, mas os números relacionados ao câncer ainda apresentam um cenário preocupante.
O aumento na incidência de câncer ocorre não apenas pela maior detecção da doença, mas também devido ao envelhecimento da população. Reconhecendo essa realidade, o Congresso brasileiro aprovou em 2012 a Lei dos 60 Dias, que estabelece que pacientes oncológicos não devem esperar mais de dois meses para receber atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, a implementação dessa lei enfrenta desafios, com muitos pacientes aguardando longos períodos para tratamento, o que pode impactar suas chances de cura.
A transformação no perfil de mortalidade no Brasil é clara. Com o câncer se tornando uma causa de morte mais relevante, é essencial que o sistema de saúde esteja preparado para atender a essa demanda. Garantir que o SUS cumpra a legislação existente é uma obrigação fundamental para assegurar que todos os cidadãos tenham acesso ao tratamento necessário, dentro de um prazo adequado. Esta é uma questão de saúde pública e um direito que a população brasileira merece.