O presidente do São Paulo, Julio Casares, está enfrentando desafios na busca de apoio para um projeto de parceria voltado para o investimento em Cotia, a famosa base do clube. Na última segunda-feira, ele apresentou detalhes sobre um Fundo de Investimento em Participações (FIP) em um evento na Galápagos, com o objetivo de captar recursos em troca de porcentagens de jogadores formados na base.
O projeto, que tem despertado interesse de investidores, incluindo o bilionário grego Evagelius Marinakis, tem gerado um debate interno intenso. Durante uma reunião com líderes das chapas que apoiam sua gestão, Casares tentou esclarecer que a proposta não implicava na venda das promessas da base, mas, apesar de seus esforços, ele não conseguiu convencer a maior parte dos conselheiros presentes. Isso revela uma divisão na política interna do clube, uma vez que a rejeição ao FIP também se faz sentir entre aqueles que tradicionalmente o apoiam.
Atualmente, apenas uma das sete chapas políticas que sustentam Casares está completamente alinhada com ele, enquanto os demais grupos expressam reservas sobre a proposta. Até mesmo algumas lideranças dentro de sua base revelaram dúvidas sobre a viabilidade e transparência do projeto.
Para tentar reverter o cenário, Casares tem promovido reuniões com conselheiros, mas ainda enfrenta a resistência de importantes figuras dentro do clube, que questionam a falta de esclarecimentos sobre o FIP e a ausência de contratos disponíveis para análise.
Em defesa da proposta, Casares afirmou que o modelo de investimento não transforma o São Paulo em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), mas tem o potencial de aumentar a capacidade de captação de recursos para a base e criar oportunidades para jovens jogadores no time profissional. Ele destacou os benefícios do investimento e a possibilidade de venda futura, argumentando que isso poderia trazer maior estabilidade financeira ao clube.
O projeto prevê a criação de um fundo que almeja levantar de R$ 250 milhões a R$ 350 milhões para as categorias de base. O São Paulo ficaria com 70% das ações do fundo, enquanto a Galápagos teria 30% inicialmente. A ideia é também abrir o fundo a torcedores e investidores, aumentando a participação comunitária na gestão do clube.
Para seguir adiante, a proposta precisa ser aprovada pelo Conselho Deliberativo, após ter recebido a aprovação do Conselho de Administração. No entanto, não há uma data definida para essa votação, o que mantém a expectativa em alta entre os interessados no futuro da base do clube.
Casares continua a reiterar seu compromisso com a transparência e a comunicação, visando esclarecer todas as dúvidas que conselheiros e torcedores possam ter sobre o projeto. O objetivo final é oferecer uma estrutura mais robusta e competitiva para o São Paulo, por meio da modernização e desenvolvimento de talentos na base.