Lula em Nova York: Crise nas Relações com os EUA Atinge Seu Ponto Máximo!
Lula e a Assembleia Geral da ONU: Uma Visita em Meio a Desafios
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva viajou para Nova York neste domingo (21 de setembro de 2025) para participar da abertura da Assembleia Geral da ONU. Este momento ocorre em um período delicado nas relações entre Brasil e Estados Unidos, marcadas por tensões e sanções.
Lula decolou às 10h e deve chegar a Nova York às 18h45 (horário de Brasília). Sem compromissos públicos para o domingo, sua participação ganham destaque na terça-feira (23), quando fará o discurso de abertura, tornando-se o primeiro chefe de Estado a se pronunciar na assembleia. Durante sua estadia, Lula também se dedicará a questões como mudanças climáticas e a defesa da democracia.
Desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, impôs tarifas elevadas sobre produtos brasileiros em julho, por conta do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF, as conversas entre os dois países foram quase interrompidas. O governo americano, por sua vez, tem privilegiado interlocutores próximos a Bolsonaro, dificultando qualquer aproximação.
Na semana passada, o secretário de Estado dos EUA anunciou que novas sanções seriam aplicadas em resposta à condenação de Bolsonaro, marcada por um longo período de prisão. Essas sanções incluem a Lei Magnitsky, que permite ações contra autoridades estrangeiras acusadas de violação de direitos humanos, afetando até mesmo o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Lula chega a Nova York em um momento em que as tensões internacionais estão em alta, com conflitos na Ucrânia e em Gaza, o que torna a geopolítica mais complicada. Apesar dessa situação adversa, o governo brasileiro não buscou uma reunião bilateral entre Lula e Trump, afirmando que a prioridade da viagem é a política internacional e não necessariamente um diálogo direto com o presidente americano.
No entanto, espera-se que Lula aproveite seu discurso na ONU para contrastar suas visões com as de Trump. Ele abordará tópicos como democracia, combate à fome e a importância de um fortalecimento das instituições multilaterais, além de reforçar a soberania brasileira frente a ameaças externas.
Durante a assembleia, há a possibilidade de que Lula e Trump se cruzem, mas sem garantia de uma conversa mais aprofundada. O presidente brasileiro revisará seu discurso até momentos antes da apresentação, provavelmente evitando menções diretas a Trump para não acirrar ainda mais as tensões.
Lula também destacará a independência dos Três Poderes no Brasil, sublinhando que o STF atuou de forma independente em sua decisão sobre Bolsonaro. Se novas sanções forem anunciadas, Lula reavaliará sua estratégia em relação aos EUA.
A agenda de Lula em Nova York inclui muitos pedidos de reuniões com chefes de Estado, sendo que cerca de 30 líderes expressaram interesse em encontros bilaterais. Entre eles, destaca-se o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, que tentou, sem sucesso, se reunir com o brasileiro anteriormente.
Compromissos de Lula em Nova York
Na segunda-feira (22), Lula participará de uma importante sessão da ONU sobre a questão palestina, defendendo a solução de dois Estados como um caminho para a paz. Em seguida, na terça-feira (23), após seu discurso, encontrará o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Na quarta-feira (24), o presidente se reunirá com líderes de outros países da região para discutir a defesa da democracia e o combate ao extremismo, sem a participação dos Estados Unidos, que não foram convidados a se juntar às discussões. Será uma oportunidade para fortalecer organismos multilaterais, como a ONU.
Ainda nesse dia, Lula presidirá uma cúpula virtual sobre ambição climática, um dos principais tópicos de sua agenda para a COP30, que acontecerá em Belém, no próximo mês.
Esta visita à ONU representa um desafio para Lula, tanto em termos de política externa quanto em sua habilidade de navegar por um ambiente internacional repleto de incertezas e pressões.