Lula Denuncia Israel e EUA: ‘Tentativa de Destruir o Sonho Palestino e Tirania do Veto’
Presidente Lula Critica Israel e Defende Palestina na ONU
Na última segunda-feira, durante uma reunião da ONU sobre o reconhecimento do Estado palestino, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas a Israel e aos Estados Unidos. Lula destacou que a verdadeira razão para a dificuldade no reconhecimento da Palestina é a "tirania do veto", uma referência ao poder que alguns países, como os EUA, têm de bloquear decisões no Conselho de Segurança da ONU.
No mesmo evento onde a França reconheceu a independência da Palestina, Lula afirmou que a atual situação na Faixa de Gaza não é apenas um extermínio do povo palestino, mas uma tentativa de destruir o sonho de nação dos palestinos, descrevendo a situação como genocídio. "O conflito entre Israel e Palestina exemplifica os desafios do multilateralismo e reflete como o veto pode prejudicar a missão da ONU", declarou.
As declarações de Lula foram direcionadas, em parte, ao governo de Binyamin Netanyahu, que tem se manifestado contra a criação de um Estado Palestino, em consonância com o aumento do apoio internacional à causa palestina. O presidente abordou a questão ao afirmar que tanto israelenses quanto palestinos têm direito à sua existência.
Desde 2022, as críticas de Lula têm gerado descontentamento na comunidade judaica brasileira e entre países ocidentais que apoiam Israel. Atualmente, o Brasil e Israel não contam com embaixadores em seus postos.
Em seu discurso, Lula também recordou o massacre perpetrado pelo Hamas em outubro de 2023, destacando que o Brasil não classifica o grupo como terrorista, mas condena os atos de violência como inaceitáveis. A Confederação Israelita do Brasil emitiu uma nota criticando as declarações do presidente, acusando-o de antissemitismo.
Este foi o primeiro discurso de Lula nas Nações Unidas desde sua posse, e ele estava acompanhado de várias autoridades brasileiras. Durante a reunião, o Brasil formalizou seu apoio a uma ação jurídica movida pela África do Sul contra Israel, alegando genocídio na Corte Internacional de Justiça.
A diplomacia brasileira argumentou que existe um padrão sistemático de destruição física e cultural dos palestinos, sugerindo uma intenção genocida por parte de Israel. Lula anunciou que o Brasil não irá mais exportar materiais de defesa para Israel e que irá aumentar a vigilância sobre produtos que chegam de assentamentos ilegais na Cisjordânia.
O encontro, promovido pela França e Arábia Saudita, teve a presença de representantes palestinos, mas Israel não estava representado. O presidente Mahmoud Abbas discursou via videoconferência. O presidente francês, Emmanuel Macron, também se manifestou, destacando que "nada justifica a guerra em Gaza" e ressaltando que o direito deve prevalecer sobre a força.
Recentemente, 11 países reconheceram formalmente o Estado palestino perante a ONU, aumentando a pressão internacional sobre o reconhecimento. No entanto, isso ainda depende da aprovação no Conselho de Segurança da ONU, onde um veto de um dos países permanentes pode barrar a decisão.
O Brasil reconhece o Estado da Palestina desde 2010 e Lula expressou sua esperança de que novos reconhecimentos sejam um passo em direção à paz e à estabilidade no Oriente Médio. Em uma era marcada por conflitos, o fortalecimento do diálogo parece ser um caminho essencial para a construção de um futuro mais pacífico.