A eleição presidencial do São Paulo está marcada para meados de 2026, mas os bastidores já estão bastante movimentados, refletindo um clima político intenso. Recentemente, durante a partida contra o Ceará, o foco das conversas não estava apenas no jogo, mas na possível saída de Carlos Belmonte, o diretor de futebol, da diretoria do clube.
Belmonte já mostrava um distanciamento do presidente Júlio Casares, especialmente em relação às discussões sobre o fundo de investimento de Cotia, que sugere separar a base do São Paulo do restante do clube. Essa divergência não é uma questão isolada, mas sim parte de um contexto mais amplo envolvendo diferentes grupos políticos dentro do clube.
Casares é parte do grupo Participação, que detém 20% dos membros do Conselho Deliberativo, enquanto Belmonte faz parte da Legião, junto com o Movimento São Paulo, que juntos representam 15%. As divisões políticas incluem ainda outras forças, como Força São Paulo, Vanguarda e Sempre Tricolor, cada uma com seus representantes e ideias.
Apesar das divisões, Casares mantém a maioria em seu Conselho Deliberativo, o que lhe permitiu aprovar várias propostas, incluindo sua reeleição e a implementação de um Fundo de Investimentos para melhorar a situação financeira do clube. A questão de Cotia, no entanto, continua sendo um desafio, levando a gestão a buscar apoio entre os conselheiros para que o projeto receba uma “aprovação prévia” antes de ser formalmente discutido.
Após a derrota para o Ceará, houve especulações sobre a saída de Belmonte, mas ele declarou que permaneceria no cargo a menos que Casares decidisse o contrário. No entanto, a remoção de Daurio Speranzini do Comitê de Governança chamou atenção. Daurio, com uma longa carreira no setor financeiro, era um dos que alertavam sobre a situação financeira crítica do clube, que enfrenta uma dívida de quase R$ 1 bilhão.
A nomeação de Flavio Marques, um opositor de Casares, para o lugar de Daurio no Comitê indica uma movimentação estratégica. Formado em engenharia e com uma carreira sólida no setor industrial, Marques é considerado uma referência em orçamentos e finanças no clube. Sua inclusão em um comitê de governança é uma tentativa de equilibrar as forças entre a situação e a oposição.
O presidente do Conselho, Olten Ayres de Abreu, que também pode considerar se candidatar à presidência em 2026, moveu essa peça política em um cenário já delicado. Casares, por sua vez, tem preferência por Marcio Carlomagno como seu sucessor, mas outras opções, como Adilson Alves Martins e Vinicius Pinotti, também estão em pauta.
As definições reais sobre a liderança do clube devem acontecer apenas em março, quando a coalizão se reunirá novamente. Belmonte, considerando uma candidatura, deverá esclarecer sua posição mais adiante. Embora a eleição ainda esteja a anos de distância, o clima de expectativa é palpável, especialmente entre os torcedores, que já clamam por mudanças na forma como o presidente é escolhido.