Chef Bel Coelho Revela Livro e Filme Inovador sobre a Amazônia na COP30!
Bel Coelho, chef paulistana de 46 anos, gostaria de batizar seu prato favorito com um tempurá de pimenta-de-cheiro, camarão e bacuri. Essa escolha reflete sua ligação com a Amazônia, especialmente após uma experiência transformadora de 40 dias na região em 2023. Essa vivência inspirou seu documentário e livro, "Floresta na Boca", previsto para ser lançado em novembro, durante a COP30 em Belém.
Bel descreve a Amazônia como essencial para a existência do Brasil e do mundo, ressaltando que, ao visitá-la pela primeira vez em 2003, sentiu uma profunda transformação. "Voltei mais humilde", afirma. A jornalista Janaina Fidalgo, que contribuiu para o livro, elogia a energia e a boa disposição de Bel em lutar por causas ambientais.
Com uma equipe de cinco mulheres, Bel percorreu diversos rios, como Xingu e Tapajós, em uma expedição que descreve como harmoniosa e sem conflitos. Dormiram em redes e se adaptaram à falta de espelhos nas comunidades, o que a fez repensar a vaidade e a autoimagem.
A recepção da equipe foi diversa, despertando curiosidade nas mulheres da comunidade e um certo desconforto nos homens. O papel das mulheres na luta socioambiental é um dos principais temas do filme. "Elas têm um papel fundamental em suas comunidades", observa Bel.
Além de sua trajetória, ela já gravou o programa "Receita de Viagem" em 2012 e desenvolveu menus inspirados nos biomas brasileiros. Hoje, Bel se sente mais madura e determinada a deixar um legado positivo para os filhos. Ela busca um equilíbrio entre sua vida profissional e sua liberdade pessoal, definindo sua solteirice como uma forma de resistência.
Com um olhar mais consciente, Bel reflete sobre a necessidade de apoiar as comunidades, não apenas valorizando os ingredientes locais, mas também promovendo uma mudança nas políticas públicas para garantir a sobrevivência financeira das pessoas.
Uma de suas iniciativas inclui a criação de um centro de inovação em Altamira, que fomente o conhecimento das comunidades locais. Nos restaurantes que possui em São Paulo, como o Clandestina e o Cuia, Bel trabalha para descolonizar a gastronomia, questionando a predominância de menus europeus. Ela critica a "alta gastronomia pomposa" e a cultura do consumo excessivo, que contribui para o aquecimento global.
Bel acredita que a cozinha tem um papel importante na felicidade e no prazer, mas ressalta que isso não está necessariamente ligado à sofisticação dos pratos. "O que realmente importa são as pessoas queridas ao redor de uma boa comida", conclui.
Dicas de Belém, segundo a chef:
- Casa do Saulo: Espaço do chef Saulo Jennings.
- Celeste: Gastronomia autoral da chef Esther Weyl, com ingredientes locais.
- Iacitata: Comida paraense mais clássica.
- Caranguejo do Gatinho Estrela: Variedade de caranguejos e cerveja supergelada.
Essa visão abrangente e simplificada de Bel Coelho destaca não apenas sua conexão com a gastronomia, mas também seu compromisso com a sustentabilidade e a cultura local.