"Menopausa: O Mito que Mudou a História da Terapia Hormonal e Impactou Milhões de Mulheres!"
Se você é mulher e passou dos 60 anos, é possível que sua qualidade de vida tenha sido impactada pela controvérsia sobre a terapia de reposição hormonal (TRH), uma das grandes discussões na medicina nos últimos anos.
Em 1998, um importante estudo chamado Women’s Health Initiative (WHI) foi iniciado nos EUA para investigar os riscos e benefícios da TRH em mulheres na pós-menopausa, focando em doenças cardiovasculares e câncer. Com 27 mil participantes, esse estudo se tornaria uma referência na pesquisa da saúde feminina.
A médica Mary Claire Haver, autora de um livro sobre menopausa, ressalta a expectativa gerada por esse estudo. Afinal, mulheres mais velhas estavam finalmente recebendo atenção e financiamento para pesquisa, algo inédito na medicina. No entanto, eventos inesperados levaram a conclusões precipitadas.
As participantes foram divididas em dois grupos: um com mulheres que tinham útero, que recebeu estrogênio e progestina, e outro com mulheres que não tinham útero, que recebeu apenas estrogênio. O estudo deveria durar 8,5 anos, mas, em 2002, um acompanhamento adequado do primeiro grupo revelou um leve aumento do risco de câncer de mama. Embora também tenha mostrado benefícios, como a redução do câncer de cólon e fraturas, o estudo foi interrompido antes do previsto devido ao risco percebido.
O segundo grupo, que usou apenas estrogênio, não mostrou um aumento no risco de câncer de mama, mas indicou um leve aumento no risco de derrame, o que levou à mesma decisão de interromper o estudo. Infelizmente, as notícias geradas a partir desses achados concentraram-se em manchetes alarmistas que associavam estrogênio diretamente ao câncer de mama, o que teve um impacto significativo na percepção pública sobre a TRH.
Como resultado, muitas mulheres começaram a abandonar a terapia hormonal, e entre 70% e 80% das que a utilizavam deixaram de buscar novas prescrições. A consequência foi que milhões deixaram de encontrar alívio para os numerosos sintomas da menopausa, que podem incluir ansiedade, depressão, incontinência urinária, queda de libido e muitos outros.
A TRH, que havia sido uma opção para minimizar esses sintomas e reduzir riscos de doenças como diabetes e osteoporose, acabou sendo vista como uma ameaça. Dados mostram que, enquanto cerca de 27% das mulheres usavam a terapia hormonal nos EUA em 2000, esse número caiu para apenas 5% em 2020.
Analisando os dados do WHI, especialistas perceberam que muitas participantes eram significativamente mais velhas do que a média da menopausa, o que poderia ter distorcido os resultados. Mulheres mais próximas da menopausa, que poderiam se beneficiar mais da TRH, estavam subrepresentadas.
Recentemente, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA anunciou uma mudança significativa: a remoção de alertas que descreviam riscos elevados de problemas associados ao uso de hormônios para menopausa. Essa decisão foi vista como um marco para restaurar um entendimento mais preciso sobre a TRH.
O comissário da FDA afirmou que a terapia de reposição hormonal pode ser uma das mais eficazes para melhorar a saúde das mulheres em geral. Estudos posteriores não mostraram aumento significativo na mortalidade por câncer de mama e indicam muitos benefícios da TRH, incluindo a redução de doenças como diabetes e declínio cognitivo.
Embora a TRH não seja indicada para todas as mulheres e sempre deva ser discutida com um médico, essa mudança pode trazer alívio a muitas que enfrentam os desafios da menopausa. O que resta questionar é como lidar com as mulheres que sofreram desnecessariamente durante esses anos devido a medos infundados e desinformação. Em palavras da autora Mary Claire Haver, é importante lembrar que a menopausa é inevitável, mas o sofrimento não precisa ser.