É Possível? Laerte Revela o Risco de Câncer de Próstata em Mulheres Trans!

Laerte Coutinho, uma reconhecida cartunista, recebeu um diagnóstico que mudou sua vida: câncer de próstata. Isso aconteceu enquanto ela investigava as “dores de velha” que sentia. Embora se identificasse, vivesse e se vestisse como mulher, Laerte, como uma mulher trans de 72 anos, tem características fisiológicas masculinas, como a próstata.

Ela ressalta a importância de as mulheres trans entenderem que possuem uma próstata e que essa parte de seu corpo também merece cuidados. Laerte já havia enfrentado anteriormente um diagnóstico de hiperplasia prostática benigna, uma condição não cancerosa caracterizada pelo aumento da próstata, que gerou dificuldades na passagem da urina.

Após a cirurgia para tratar a hiperplasia, Laerte percebeu que não havia dado a devida atenção aos exames para detecção de câncer de próstata. Ela reconhece que a cultura masculina, que propõe que homens não precisam ir ao médico, influenciou sua negligência com a saúde. “Essa é uma crença que precisamos desconstruir”, afirma.

Mulheres trans têm suscetibilidade ao câncer de próstata devido aos fatores fisiológicos associados ao seu nascimento. Durante a transição de gênero, muitas optam por terapia hormonal e cirurgias, que podem incluir remoção dos testículos e modificação da genitália. No entanto, a próstata permanece, pois sua remoção envolve riscos significativos e não traz benefícios na percepção de gênero ou saúde.

Embora a terapia hormonal, que diminui a produção de testosterona, possa reduzir o risco de câncer de próstata, não elimina completamente essa possibilidade. A recomendação geral é que mulheres trans realizem exames de PSA anualmente a partir dos 50 anos, ou 45 se houver fatores de risco.

No caso de Laerte, ela optou por não realizar cirurgias ou terapia hormonal, o que a coloca em risco semelhante ao de homens cis. Após o diagnóstico, ela e sua médica decidiram pela prostatectomia radical. Laerte ficou aliviada ao saber que o câncer de próstata é gerenciável, desde que diagnosticado e tratado adequadamente.

Atualmente, enfrenta incontinência urinária severa como resultado da cirurgia e está buscando ajuda por meio de fisioterapia pélvica.

A questão da saúde das mulheres trans é frequentemente cercada de tabus e desinformação. Uma psicóloga especialista em gênero e sexualidade aponta que a idealização da “mulher verdadeira” pode dificultar o acesso a cuidados médicos adequados. Essa visão pode levar ao negacionismo sobre as condições biológicas que as mulheres trans enfrentam, tornando o diálogo sobre exames de próstata um tabu.

Além disso, muitos profissionais da saúde no Brasil não possuem formação adequada sobre as questões de gênero, o que contribui para a desinformação e negligência médica. A falta de protocolos claros para o rastreamento do câncer de próstata em mulheres trans é um desafio que médicos, mesmo bem-intencionados, enfrentam na prática.

Essa história de Laerte exemplifica a necessidade urgente de maior conscientização e educação sobre saúde transgênero, assim como a importância da realização de exames preventivos, independentemente da identidade de gênero. Cuidar da saúde deve ser uma prioridade, e a inclusão e compreensão das especificidades de cada corpo são fundamentais para garantir que todos recebam o atendimento adequado e digno.

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