O clima no Allianz Parque estava tenso e silencioso por mais de 45 minutos enquanto todos aguardavam a chegada de Abel, o treinador do Palmeiras. Ele também passou esse tempo reservado em sua sala antes de se juntar à coletiva de imprensa. Após a entrevista, observei um dos profissionais do clube e comentou que Abel parecia decepcionado. O semblante do colega confirmava isso, refletindo a mesma insatisfação do treinador.
Esse desânimo se intensificou após um incidente na madrugada anterior, que reverberou nas arquibancadas do estádio. Ao chegarem, torcedores encontraram faixas de protesto criticando a diretoria e pedindo a saída de Abel. Quando uma torcida organizada começou a entoar gritos de descontentamento, receberam vaias do restante do público, que não estava satisfeito.
O ambiente geral entre os torcedores, mesmo os comuns, não era animador. O Allianz não apresentou a energia habitual, nem mesmo durante o início da partida. Até o pênalti que resultou no empate, as vaias à torcida organizada foram a única manifestação visível de descontentamento.
Dentro de campo, o desempenho do Palmeiras não ajudou a melhorar a situação. A equipe não teve um bom jogo, mas conseguiu se recuperar com a ajuda de Flaco López, que marcou um gol de pênalti e proporcionou uma assistência para o segundo gol.
Apesar da virada, as comemorações foram contidas, sem a euforia de outros momentos. A música que costuma animar a torcida tocou após o sistema de som estimular o público, mas o entusiasmo foi breve. No apito final, os aplausos foram tímidos e rápidos, com uma presença de público abaixo do esperado: pouco mais de 27 mil torcedores.
O cenário no Allianz Parque foi, portanto, de insatisfação generalizada, refletindo tanto a frustração com o time quanto o descontentamento em relação à gestão do clube.