Choque de Preços na Argentina: 90% Mais Caro e os Brasileiros em Alerta!
A Queda do Turismo na Argentina e seus Reflexos Econômicos
Alexis Franco, um garçom argentino de 33 anos, lamenta a falta de turistas brasileiros em Buenos Aires, especialmente na famosa rua Florida. “Antes, os brasileiros vinham em grupos, mas agora, terei de esperar minhas férias para visitar o Brasil”, comenta. Essa mudança reflete uma tendência preocupante para o turismo no país.
A situação de Alexis é representativa de um setor que está tendo dificuldade. Seu irmão, que antes oferecia câmbio de maneira informal, agora faz entregas por aplicativo devido à escassez de turistas. Ele resume a relação entre Argentina e Brasil como uma gangorra, na esperança de que nenhum dos dois países enfrente dificuldades.
Os números confirmam essa realidade. Entre janeiro e abril de 2025, a Argentina recebeu apenas 3,3 milhões de visitantes, uma queda de 25,4% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, as viagens dos argentinos ao exterior aumentaram 67,6%, chegando a 8,4 milhões. Isso demonstra uma mudança nos hábitos de viagem, com muitos argentinos buscando destinos fora do país.
Somente em abril, Argentina experimentou um saldo negativo no turismo internacional, recebendo 699,3 mil visitantes (8,3% a menos que no mesmo mês de 2024) enquanto 1,43 milhão de argentinos viajaram para o exterior, um aumento de 30,5%. Dos turistas, 77,6 mil eram brasileiros, uma queda de 18,2% em comparação ao ano anterior, enquanto 235,9 mil argentinos aproveitaram as tarifas menores no Brasil, marcando um aumento de 59,1%.
Para contornar a situação, comerciantes em cidades turísticas, como Mar del Plata, começaram a oferecer pacotes a preços de custo. Luciano Scharowski, um agente de viagens, ressalta a dificuldade de competição com os preços no Brasil. Os proprietários de hotéis e restaurantes, especialmente em Bariloche, estão ansiosos sobre a próxima temporada de inverno.
Em meio a isso, uma notícia positiva para o governo argentino é a queda da inflação, que atingiu 1,5% em maio, o menor índice dos últimos cinco anos. Contudo, embora os preços tenham parado de subir com a mesma intensidade, ainda permanecem elevados em relação ao dólar.
De acordo com um estudo recente, na comparação de uma cesta de 30 produtos com Brasil e outros países, 90% dos preços foram encontrados mais altos na Argentina. No que tange alimentos e bebidas, o Brasil se destaca com preços mais baixos em todos os itens. A Argentina é mais cara em 91% dos casos para bens duráveis e vestuário.
As comparações de preços são frequentemente baseadas em plataformas que analisam o custo de vida em diferentes países, gerando dados a partir de contribuições de usuários e pesquisas em supermercados e serviços. Um exemplo notável é o índice Big Mac, que mostra que o preço do famoso sanduíche na Argentina é de US$ 7, apenas inferior ao da Suíça.
Recentemente, o governo argentino levantou restrições à compra de dólares por pessoas físicas, permitindo a flutuação da moeda entre 1.000 e 1.400 pesos argentinos. Isso pode sugerir um esforço para estabilizar a economia e facilitar o acesso ao mercado de câmbio.
Embora a redução da inflação seja um ponto positivo, a Argentina ainda enfrenta desafios significativos para atrair dólares, enfrentando uma escassez crônica de reservas em seu banco central. A taxa de câmbio atual está 30% abaixo da média dos últimos 25 anos, o que não necessariamente aponta para instabilidade futura, especialmente se os setores de energia e mineração continuarem a crescer.
Em resumo, o turismo argentino enfrenta um cenário difícil, refletindo a atual dinâmica econômica do país. Ao mesmo tempo, iniciativas para estabilizar a economia e atrair turismo são indispensáveis para reverter essa tendência e revitalizar diversos setores que dependem do fluxo de visitantes e do comércio exterior.