Como a BYD Tentou Garantir um ‘Tax Break’ e Despertou a Raiva da Indústria Automotiva!
O governo brasileiro respondeu às queixas da indústria automobilística sobre a proposta de extensão dos benefícios tributários para a montadora chinesa BYD. Nesta semana, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu não atender ao pedido da empresa para redução das tarifas sobre kits de carros desmontados que seriam importados da China para produção na nova fábrica que a BYD está construindo em Camaçari.
Atualmente, os kits de veículos elétricos entram no Brasil com um imposto de importação de 18%, enquanto os híbridos são taxados em 20%. A BYD havia solicitado que essas taxas fossem reduzidas para 5% e 10%, respectivamente. Apesar de não ter aceitado as reduções, a Camex concedeu uma cota de importação de US$ 463 milhões com alíquota zero nos próximos seis meses, valor que ficou muito abaixo do pedido da montadora, que desejava uma isenção de US$ 2 bilhões ao longo de um ano.
Além disso, o governo decidiu antecipar a cobrança da tarifa completa de 35% para veículos elétricos importados desmontados para janeiro de 2027, ao invés de julho de 2028. Para veículos elétricos prontos, esta alíquota começará a valer em julho de 2026, equiparando-se à tarifação dos automóveis a combustão, que está atualmente em 26%.
Antes da reunião da Camex, os CEOs de grandes montadoras, como Stellantis, Volkswagen, General Motors e Toyota, enviaram uma carta ao governo apontando que a importação de veículos desmontados traria impacto negativo para o emprego e o equilíbrio comercial, além de aumentar a dependência tecnológica. Os governadores dos estados onde essas montadoras operam também se manifestaram contra a concessão de benefícios à BYD, afirmando que isso poderia desencorajar a industrialização local e afetar a cadeia produtiva de forma adversa.
Em resposta, a BYD defendeu sua proposta afirmando que a indústrias tradicionais estavam tentando barrar a concorrência para impedir a chegada de modelos elétricos a preços mais acessíveis. A empresa ressaltou que a redução temporária das tarifas seria uma estratégia para fomentar a produção local e a geração de empregos enquanto sua fábrica não estava em operação.
A montadora chinesa destaca que a China produz mais de 30 milhões de carros anualmente, enviando uma quantidade significativa de elétricos para o exterior, especialmente em tempos de desaceleração econômica. O Brasil tem um papel central na estratégia de expansão da BYD, que já ocupa o quinto lugar no ranking de vendas de automóveis no país. A empresa tem se beneficiado de incentivos fiscais com a promessa de instalação de sua fábrica em Camaçari, onde irá operar em um modelo que contempla a montagem de peças majoritariamente produzidas na China.
Esse cenário evidencia o intenso debate sobre a sustentabilidade e a competitividade da indústria automobilística brasileira, que enfrenta desafios significativos com a entrada de novas empresas no mercado.