CPI do INSS Decisão Surpreendente: Frei Chico, Irmão de Lula, Não Será Convidado!
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não aceitou, na quinta-feira, 16 de outubro de 2025, o pedido de convocação de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). A votação resultou em 19 votos contra e 11 a favor.
O requerimento, proposto pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana, tinha como objetivo incluir Frei Chico no bloco de depoimentos que investiga a atuação de entidades em relação a descontos irregulares em benefícios previdenciários. Viana havia argumentado em suas redes sociais que a convocação seria importante para esclarecer potenciais vínculos do Sindnapi com esses esquemas, mas parte dos membros da comissão decidiu que não havia evidências suficientes para justificar o depoimento.
A oposição manifestou preocupação, acusando o governo de proteger o irmão do presidente. Os aliados de Lula defenderam que Frei Chico ocupa uma posição simbólica no Sindnapi, onde está desde 2024, e não tem influência nas decisões financeiras da entidade.
Frei Chico, de 77 anos, é uma figura emblemática no movimento sindical, tendo apresentado Lula à militância operária nos anos 1970. O Sindnapi divulgou anteriormente que ficou “surpreendido” com a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal em sua sede, em São Paulo, no dia 9 de outubro, e que está colaborando com as investigações.
A operação da PF foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e visa investigar a prática de descontos automáticos em aposentadorias e pensões sem a autorização explícita dos beneficiários. Durante a ação, foram apreendidos documentos e equipamentos relacionados a supostos repasses irregulares.
Na mesma sessão da CPMI, houve o depoimento de Cícero Marcelino de Souza Santos, assessor do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares (Conafer). A CPMI está avaliando se essa confederação e outras entidades podem ter se envolvido em práticas semelhantes.
Segundo um relatório da Controladoria Geral da União (CGU) apresentado pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar, o Sindnapi arrecadou R$ 599,2 milhões entre 2015 e 2025, posicionando-se entre os três sindicatos com os maiores volumes de descontos em benefícios previdenciários, totalizando 26,4 milhões de descontos no período analisado.
A auditoria revelou que 96,8% dos beneficiários não reconheceram os descontos feitos em seus benefícios, levantando suspeitas de fraudes. O relator também mencionou que a arrecadação do Sindnapi cresceu de forma significativa a partir de 2021, com a entrada de Milton Cavalo na presidência da entidade. Em 2020, a arrecadação foi de R$ 24 milhões, subindo para R$ 51 milhões em 2021, R$ 93,6 milhões em 2022, e alcançando R$ 151,9 milhões em 2023. No entanto, o sindicalista não explicou qual seria a causa desse aumento expressivo de arrecadação.
Esses desdobramentos na CPMI levantam questões importantes sobre a transparência e a gestão financeira dos sindicatos, além da necessidade de assegurar que os direitos dos beneficiários sejam respeitados. A continuidade das investigações deve trazer mais esclarecimentos sobre a atuação dessas entidades e possíveis irregularidades.