Crise no Pix: BMP Recupera 50% do Dinheiro Após Ataque Hacker!

Após 40 dias do maior ataque cibernético da história do Brasil, que causou perdas em torno de R$ 1 bilhão, a principal vítima, a instituição financeira BMP Moneyplus, anunciou que conseguiu recuperar cerca de R$ 270 milhões dos R$ 541 milhões originalmente desviados.

O Banco Central está coordenando a repatriação do dinheiro perdido. Devido ao desligamento das empresas atacadas do sistema Pix, foi impossível utilizar os métodos tradicionais de devolução. Portanto, é necessário realizar verificações contábeis, e uma parte do montante está sob a custódia de autoridades que investigam o caso. O rastreamento dos valores está sendo realizado em colaboração entre o Ministério Público e a Polícia Federal, contando ainda com informações de empresas de criptomoedas.

As investigações da Polícia Civil de São Paulo tiveram início após um boletim de ocorrência registrado pela BMP. As autoridades estão empenhadas em localizar o dinheiro, que foi distribuído em diversas contas e convertido em criptomoedas. O sistema Pix, que registra todas as transações, ajudou a facilitar esse rastreamento.

O ataque cibernético explorou falhas que permitiram que os criminosos movimentassem contas de pelo menos seis clientes da provedora C&M Software. Um funcionário dessa empresa foi cooptado pela quadrilha para intermediar as transferências e está preso.

A C&M Software informou que o ataque ocorreu devido a táticas de engenharia social que induziram colaboradores a compartilhar credenciais de acesso. A empresa não teve falhas em seus sistemas. O Banco Central autorizou a C&M a retomar suas operações em 3 de julho. Além da BMP, a Polícia Federal identificou que o Banco Industrial do Brasil e a cooperativa de crédito rural CrediAliança também foram afetados. O CorpX Bank registrou uma queixa junto à Polícia Civil, mas ainda não há detalhes sobre outras vítimas.

O que a Polícia Civil descobriu

Inicialmente, mais de R$ 541 milhões desviados da BMP foram transferidos para mais de cem contas em 29 instituições financeiras diferentes. Oito dessas instituições informaram que bloquearam os valores suspeitos e alertaram o Banco Central.

Entre os principais destinatários estavam:

  • Soffy: Recebeu mais de R$ 271 milhões em uma conta considerada de um cliente parceiro não identificado.
  • Transfeera: Recebeu R$ 89 milhões em 22 transferências.
  • Monexa (fundada apenas 19 dias antes do ataque): Recebeu R$ 45 milhões em cinco transferências feitas durante a madrugada.
  • Nuoro Pay: Bloqueou 390 transações suspeitas de R$ 25 mil.

A Nuoro Pay informou que inicialmente não bloqueou os Pix da BMP por se tratar de uma grande instituição, mas tomou medidas em relação às transações que considerou suspeitas.

Um detalhe curioso é que a única sócia da Monexa, uma jovem de 24 anos, está sob investigação para verificar se foi laranja ou se tinha intenção de participação no esquema. A empresa não atendeu às chamadas.

A Soffy enfrenta 77 ações judiciais, muitas relacionadas à abertura de contas sem o consentimento dos titulares. A Transfeera também confirmou que o assunto está sendo investigado pelas autoridades.

O que avançou a Polícia Federal

Em sua investigação, a Polícia Federal, com a ajuda do Banco Central, rastreou uma cadeia de lavagem de dinheiro. O esquema envolveu transferências para diversas entidades que, por sua vez, relocaram valores para indivíduos e empresas ligados ao ataque.

Por exemplo, a empresa Esther Assets recebeu R$ 11 milhões dos valores desviados e enviou quantidades para a fintech Sis Pagamentos, que fez repasses a um assessor parlamentar em Roraima. Este assessor foi preso com R$ 700 mil.

Criptomoedas em jogo

Além das movimentações em dinheiro, os criminosos também converteram parte do montante desviado em criptomoedas. O dia do ataque registrou o maior volume de transações desse tipo no mês, totalizando R$ 733,5 milhões em bitcoins e R$ 158,8 milhões em USDT.

A fintech Smartpay, que ajudou a identificar o problema, bloqueou movimentações suspeitas assim que notou a atividade anormal. Em meados de julho, a Polícia Federal e o Ministério Público recuperaram R$ 5,5 milhões em criptoativos após cumprir mandados de busca e apreensão.

Detenções

Até o momento, João Nazareno Roque, um técnico de TI, e o assessor parlamentar Jackson Renei Aquino de Souza estão entre os detidos. Roque foi cooptado pela quadrilha e alegou ter sido vítima do esquema. Ele foi preso sob acusação de participação no ataque, enquanto Souza foi encontrado com R$ 700 mil em espécie.

Cronologia da Investigação

  • 30 de junho: O ataque cibernético acontece com desvio de R$ 1 bilhão.
  • 1º de julho: Instituições financeiras informam o Banco Central sobre o ataque.
  • 2 de julho: A Polícia Federal inicia investigação.
  • 3 de julho: João Nazareno Roque é preso, e o Banco Central suspende integrações ao Pix de algumas instituições.
  • 15 de julho: A operação Magna Fraus recupera R$ 5,5 milhões em criptoativos.
  • 22 de julho: O assessor parlamentar é preso.

A investigação continua em andamento, com as autoridades trabalhando para rastrear e recuperar os valores desviados.

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