Descubra a Heroína por Trás do Remédio Grátis para HIV no Brasil!

Participei de diversas iniciativas ao longo dos anos. Um dos grupos em que estive envolvida foi o ‘Mulheres pela Vida’, onde começamos a nos organizar através de reuniões, encontros e rodas de conversa. Com o tempo, percebemos que a simples sobrevivência não era suficiente; precisávamos lutar ativamente por nossos direitos – por medicamentos, por um atendimento digno e por políticas públicas que nos considerassem. Além disso, enfrentamos um desafio extra: o machismo. Para mulheres vivendo com HIV, a violência é dupla.

### A Dor da Perda

Perder amigos durante essa jornada era uma experiência comum e devastadora. Tínhamos um grupo de teatro que se apresentava em municípios e escolas, abordando temas como preconceito. Infelizmente, em um ano, perdemos todos os integrantes do elenco.

A realidade da perda nos obrigava a nos dividir para poder dar sepultura aos nossos amigos, já que muitos não tinham família para isso. Uma pergunta pesada pairava em nossas mentes: “Quando será a minha vez?”.

As perdas que vivi foram marcantes, mas dois casos se destacam em minha memória: Carla e Cláudia. Carla, que vivia com a irmã em uma situação muito difícil, sempre tentava ajudar quem podia. Uma vez, a levei para o hospital e, apenas dois dias depois, ela faleceu. Fui ao IML reconhecer seu corpo; abrir a gaveta e vê-la foi um momento doloroso.

Cláudia, uma travesti que cuidava de todos à sua volta, também enfrentou muitas dificuldades. Após ser perseguida por questões políticas, acabou morando comigo, e nossa amizade se fortaleceu. Lembro de quando ela me perguntou se deveria se transformar em Cláudio, refletindo sobre tudo o que estava passando. Infelizmente, pouco tempo depois, ela também faleceu, sozinha. Fui eu e outra amiga quem a enterramos, e essa solidão familiar deixou uma marca profunda em mim.

Esses momentos difíceis nos mostraram a importância de lutar, não apenas por nós mesmas, mas também pela memória daqueles que perdemos. Precisamos nos unir, buscar apoio e garantir que a voz de cada um seja ouvida, para que nenhuma história seja esquecida.

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