Em um domingo quente em São Paulo, crianças uniformizadas se reuniram na Ibrachina Arena, na Mooca, para disputarem a partida de ida das oitavas de final do Campeonato Paulista sub-11, que aconteceu no dia 5 de outubro. O jogo foi entre as equipes Prata da Casa e Palmeiras, e atraiu cerca de 200 torcedores, a maioria composta por familiares e amigos, que vibraram e lamentaram as jogadas durante a partida, que terminou com a vitória do Palmeiras por 3 a 2.
A presença de torcedores nem sempre foi garantida. Entre o final de agosto e início de setembro, a Federação Paulista de Futebol (FPF) impôs a proibição da presença de público em duas rodadas, devido a comportamentos inadequados, como ofensas raciais e homofóbicas e até brigas durante os jogos. Esse tipo de situação levou à ocorrência de 46 incidentes nas 15 primeiras rodadas, um aumento em relação ao ano anterior.
O treinador do Prata da Casa, William Rodrigues da Silva, observou que é comum que as emoções fiquem à flor da pele durante as partidas, tanto entre torcedores quanto entre membros das comissões técnicas. Ele destacou a importância de criar um ambiente leve e divertido para as crianças, lembrando que elas se espelham no comportamento dos adultos ao seu redor.
A atmosfera nas arquibancadas também foi um foco de discussão, com relatos de torcedores ofendendo árbitros por decisões consideradas equivocadas. Para alguns familiares, como Giovana, irmã de um jogador, a presença de xingamentos nas partidas não é aceita, especialmente considerando a idade dos atletas. Outras mães, como Juliana, também relataram ocorrências de ofensas direcionadas a seus filhos, mas notaram uma mudança de comportamento nas arquibancadas após a aplicação das punições pela FPF.
O diretor da FPF comentou que as proibições levaram a reflexões importantes, com relatos positivos sobre um comportamento mais controlado por parte dos torcedores. Para ajudar a promover um ambiente mais saudável, a FPF lançou uma campanha em vídeo que aborda a importância do respeito nas competições infantis, destacando a formação emocional das crianças.
O ambiente de um torneio esportivo deve ser um espaço de aprendizado e motivação, em vez de ansiedade e frustração. O psicólogo Rodrigo Acioli ressaltou que a pressão das expectativas dos pais pode afetar os jovens atletas, que precisam de apoio emocional para lidar com a competição. Um acompanhamento psicológico adequado é fundamental para garantir que os atletas se desenvolvam de maneira saudável desde a base até a vida profissional.
Neste contexto, é essencial que todos os envolvidos – famílias, treinadores e torcedores – trabalhem juntos para garantir que o esporte seja uma experiência positiva e enriquecedora para as crianças. Priorizar a diversão e o aprendizado, ao invés da pressão por resultados, é o caminho para cultivar futuros atletas saudáveis e apaixonados pelo jogo.