Os Segredos das Narcolanchas e Submarinos: Como o Tráfico de Drogas Conquista a Europa!
Na última semana, a Marinha Portuguesa fez uma operação significativa ao interceptar um narcossubmarino no meio do Oceano Atlântico, que transportava mais de 1,7 tonelada de cocaína. A embarcação, que partiu da Venezuela, tinha como destino a Península Ibérica, onde a droga seria distribuída para diversos países europeus.
Interceptações de embarcações de organizações criminosas não são uma novidade nas costas de Portugal e Espanha. Nos últimos anos, várias operações das autoridades resultaram na apreensão de lanchas e submarinos utilizados para o tráfego de drogas. A produção e o consumo de cocaína aumentaram globalmente, sendo a Europa vista como um dos mercados mais lucrativos.
Com o aumento do consumo, a pureza e a potência da cocaína vendida no continente também estão crescendo. As chamadas “narcolanchas” são uma das formas mais comuns de transporte de drogas. Estas embarcações são frequentemente semi-rígidas, com mais de 10 metros de comprimento, e podem transportar até três toneladas de cocaína de uma só vez.
As narcolanchas típicas são usadas para transferir drogas de embarcações-mãe maiores, que vêm da América do Sul, para portos europeus. Quando os destinos são na Espanha, acredita-se que essas lanchas sejam abastecidas em águas próximas às Ilhas Canárias. Os traficantes utilizam comunicações criptografadas para evitar a detecção durante o transporte.
A velocidade é uma característica crucial dessas embarcações, com algumas alcançando de 70 a 80 nós (cerca de 130 a 148 km/h). No passado, versões desses barcos eram utilizadas durante a Lei Seca nos Estados Unidos, e hoje, a rápida velocidade ajuda os criminosos a fugirem de perseguições, que têm se tornado frequentes nas costas ibéricas. Em um caso trágico, em fevereiro de 2024, dois guardas-civis foram mortos durante uma operação de perseguição a uma narcolancha.
Para enfrentar o tráfico, em 2018, o governo espanhol introduziu um decreto que classifica certos tipos de embarcações infláveis como “gênero proibido”, autorizando sua apreensão mesmo sem carregamento de drogas. No entanto, a fabricação desses barcos continua em Portugal. As autoridades espanholas afirmam que esto levou os traficantes a utilizar território português para manter suas operações.
As embarcações mais sofisticadas usadas por criminosos são os narcossubmarinos, que podem transportar quantidades muito maiores de drogas. Algumas embarcações já foram registradas transportando de centenas a várias toneladas de cocaína por viagem, com a capacidade para realizar travessias oceânicas.
Desde a pandemia de COVID-19, o uso de narcossubmarinos tem aumentado, refletindo a resiliência das redes de tráfico. A primeira apreensão desse tipo, tentando transportar cocaína da América do Sul para a Europa, ocorreu em 2019, quando um submersível chamado “Che” foi capturado com três toneladas de cocaína a bordo.
Esses submarinos são geralmente construídos em estaleiros clandestinos, onde grupos criminosos desenvolvem suas embarcações em segredo. Muitos dos narcossubmarinos são projetados para serem quase invisíveis, navegando perto da superfície do mar. O “Che”, por exemplo, ficou às margens da costa da Galícia, na Espanha, antes de ser interceptado.
A tradição do uso de narcossubmarinos começou na Colômbia, na década de 1990, quando traficantes como Pablo Escobar empregaram esses meios para contrabandear drogas. Essa tática acaba representando um grande desafio para as forças de segurança, pois sua construção e operação muitas vezes ocorrem em regiões de difícil acesso.
As forças de segurança estão constantemente atrás de novas tecnologias para melhorar a detecção e a interceptação dessas embarcações, já que a luta contra o tráfico de drogas se torna cada vez mais complexa. A necessidade de abordar este problema com medidas avançadas se torna evidente à medida que as redes criminosas se adaptam e inovam.
A luta contra o tráfico de drogas nas águas da Europa é não apenas uma questão de segurança pública, mas também um reflexo das complexas dinâmicas de mercado e das estratégias empregadas por grupos organizados. Enquanto novas táticas e tecnologias surgem, a colaboração internacional entre as forças de segurança permanecerá essencial para enfrentar essa questão persistente e desafiadora.