Panamenho Reúne Atenção na ONU: ‘Estamos Sendo Tratados como Tolos!’ – Impactos da COP30 na Amazônia
A reunião do Bureau da ONU Clima sobre a logística da COP30, que ocorreu recentemente em Belém, foi marcada por discussões intensas e uma duração de três horas. O principal foco do encontro foi a problemática da oferta de acomodações na cidade, que tem gerado tensões entre os representantes das delegações. O delegado do Panamá, Juan Carlos Monterrey Gómez, que também ocupa o cargo de vice-presidente do bureau, expressou sua insatisfação, afirmando que o tempo estava sendo desperdiçado e que a situação estava tratando os delegados “como tolos”.
Gómez, representando os 33 países da América Latina e do Caribe, fez duras críticas sobre a realidade enfrentada pelas delegações. Segundo ele, a reunião, embora tenha gerado algumas propostas, reafirmou a gravidade da questão de hospedagem. Após o encontro, ele publicou em uma rede social que uma pesquisa da UNFCCC indicou um forte sentimento de desconforto e frustração entre os delegados.
Ele voltou a enfatizar a necessidade de orientações formais sobre alternativas de hospedagem, solicitando que o secretariado da ONU verificasse a possibilidade de mudar a cidade-sede para a COP30, alegando que as condições atuais dificultam a participação e violam princípios fundamentais do multilateralismo.
Na sua declaração, Gómez destacou que essa foi a terceira reunião do bureau em dois meses para discutir preocupações logísticas. Ele mencionou uma resposta pouco acolhedora da nova presidência da COP, que o chamou de “inaceitável” e reiterou que a cidade-sede não seria alterada.
O vice-presidente também alertou que mais de 70% das delegações ainda não haviam reservado acomodações, enfatizando que os preços estão exorbitantes. As tarifas variam de 200% a 400% acima do subsídio diário de US$ 144, limite estabelecido para os representantes de países em desenvolvimento e pequenas ilhas. Esse valor, por exemplo, é maior em outras cidades, como no Rio de Janeiro, onde a diaria é de US$ 229, e em São Paulo, de US$ 234.
Além disso, os delegados têm enfrentado tarifas altíssimas e pacotes de hospedagem que não podem ser alterados, mesmo com o governo brasileiro tendo flexibilizado alguns requisitos, como a redução do período mínimo de reservas de 15 para 10 dias.
Gómez criticou ainda a exigência de pagamento das acomodações em até três dias, o que dificulta ainda mais a situação, visto que as informações chegam de forma fragmentada e a coordenação entre as delegações se torna complexa. Ele enfatizou que não se tratava apenas de um problema logístico, mas sim uma situação que considera absurda e desrespeitosa.
Ao final, ele expressou o desejo de construir confiança e soluções, lamentando que, em vez disso, tem recebido desculpas e justificativas inadequadas.
O debate sobre as condições de hospedagem para a COP30 permanece um desafio crítico, refletindo a necessidade de maior atenção e soluções eficazes para garantir a participação de todos os delegados na Conferência.