Sociedades Exijam Adoção do Wegovy no SUS: Uma Questão de Saúde Pública!
Três associações médicas manifestaram sua contrariedade à decisão da Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias (Conitec) de não incluir os medicamentos liraglutida (Saxenda) e semaglutida (Wegovy) no Sistema Único de Saúde (SUS).
Em uma declaração conjunta, a Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), a SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) e a SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) destacaram que a análise da Conitec não levou em conta a relação custo-efetividade desses medicamentos, que são administrados por meio de canetas injetáveis.
Os representantes das associações enfatizaram que, atualmente, o acesso a esses tratamentos é restrito a quem pode pagar, o que prejudica os princípios de equidade e universalidade do SUS. Eles ressaltaram que a falta de disponibilidade no sistema público pode comprometer a saúde de muitas pessoas que necessitam desses medicamentos.
A semaglutida, por exemplo, foi proposta para pacientes com obesidade grau 2, sem diabetes, a partir dos 45 anos e com doenças cardiovasculares. Já a liraglutida foi avaliada para tratamento de obesidade em pacientes com diabetes tipo 2. A solicitação de incorporação da semaglutida veio da farmacêutica responsável por seu desenvolvimento, enquanto o pedido da liraglutida foi feito pelas associações médicas.
Apesar de a semaglutida ser considerada uma tecnologia inovadora, a decisão negativa foi justificada por questões orçamentárias e fiscais. De acordo com os relatórios do Ministério da Saúde, o custo anual estimado por paciente para a liraglutida seria de R$ 9.885,60, enquanto para a semaglutida seria de R$ 17.584,80, resultando em um impacto financeiro total estimado em R$ 8 bilhões por ano.
Após a negativa, o Ministério da Saúde afirmou que as decisões da Conitec são baseadas nas melhores evidências científicas disponíveis, levando em conta eficácia, segurança e custo-efetividade. O ministério também mencionou que a Fiocruz anunciou um acordo para a produção nacional desses medicamentos, como uma forma de mitigar problemas de acesso.
As associações médicas criticaram a estratégia de vincular o tratamento medicamentoso à implementação de medidas de prevenção em larga escala, argumentando que isso pode perpetuar a exclusão de pacientes que dependem do SUS.
Além disso, destacaram que a Conitec já negou a incorporação de medicamentos para obesidade em diversas ocasiões, citando o alto custo como justificativa. A sibutramina, um medicamento mais antigo, também foi negado, embora tenha passado por uma reavaliação que demonstrou seus benefícios quando administrado sob supervisão rigorosa.
As associações ressaltaram que é inaceitável que não haja disponibilidade nem mesmo de um medicamento de baixo custo, que já está amplamente em uso, e que, diante das evidências dos benefícios de tratamentos mais modernos, como a liraglutida e a semaglutida, esses também não possam ser acessados por grupos de maior risco.
A farmacêutica Novo Nordisk também expressou sua preocupação com a situação, mencionando que o parecer negativo está ligado ao histórico de subfinanciamento do SUS, além de restrições orçamentárias. Eles reforçaram seu compromisso em combater a obesidade no Brasil e em atuar como parceiro estratégico no desenvolvimento de soluções para essa condição de saúde.