Você está obcecado por comida? Desvende o mistério do ‘food noise’ agora!
Flávia Stevens, uma mulher de Curitiba, começou a fazer acompanhamento nutricional aos 6 anos devido ao seu sobrepeso. Ao longo da adolescência e início da vida adulta, ela enfrentou transtornos alimentares, passando a obsessar-se por dietas para emagrecer. “Minha mente estava o tempo todo focada na comida, o que começou a afetar minha rotina. Eu pensava em cada refeição, no que já tinha consumido e se estava seguindo meu planejamento alimentar corretamente. Passava horas pesquisando sobre comida”, compartilha Flávia, que hoje tem 31 anos e estuda Biomedicina. Foi só em 2020 que ela percebeu que essa relação não era saudável e decidiu buscar ajuda médica.
Após consultas, Flávia recebeu o diagnóstico de ansiedade e descobriu que sofria de “food noise” — um termo que se refere a pensamentos intrusivos e frequentes sobre comida. Esse fenômeno é influenciado por uma grande quantidade de estímulos alimentares presentes em nossa rotina, como anúncios, redes sociais e até interações sociais. Enquanto a compulsão alimentar envolve comer em excesso, o food noise caracteriza-se pela constante preocupação com a comida, que pode levar a comportamentos prejudiciais, como comer por impulso.
Estudos apontam que o food noise também pode estar relacionado à obesidade. Profissionais da área de saúde indicam que esse tipo de preocupação alimentar é comum em pessoas que lidam com estresse e que consomem muitos alimentos processados, dificultando a adesão a dietas restritivas.
A endocrinologista Isabela Bussade destaca uma pesquisa recente que mostra que medicamentos que atuam em hormônios como GLP-1 e GIP, como Ozempic e Mounjaro, podem ajudar a melhorar o food noise. Além de inibir o apetite, esses remédios têm um efeito positivo sobre o sistema nervoso central, promovendo uma maior qualidade de vida.
Outra paciente, Janaína Pimenta, começou a usar a Tirzepatida, um componente do Mounjaro, em fevereiro deste ano para tratar a obesidade e relatou uma redução significativa dos pensamentos sobre comida. “Foi como se uma mágica tivesse acontecido”, diz ela, que já perdeu 30 quilos em três anos de tratamento, mas permanece sob a medicação para manter esse controle mental.
Para aqueles que buscam formas naturais de lidar com a situação, profissionais recomendam acompanhar o tratamento com consultas psicológicas e nutricionais. Combinar terapia cognitivo-comportamental com um plano alimentar elaborado por um nutricionista pode proporcionar segurança nas escolhas alimentares. Além disso, especialistas sugerem evitar termos como “proibido” ou “nunca” em relação à comida, promovendo uma abordagem mais saudável e equilibrada.
Assim, ao adotar uma mentalidade mais flexível, podemos desenvolver uma relação mais tranquila com a alimentação, apoiando tanto a saúde física quanto mental.